Ânima redesenha modelo de ensino em meio ao avanço da IA
A Ânima Educação está reformulando seu modelo de avaliação acadêmica como parte de uma estratégia mais ampla de reposicionamento. Em vez de se limitar à concessão do diploma, a rede quer medir a capacidade de aprendizado do aluno ao longo do curso, usando inteligência artificial para formar profissionais menos suscetíveis à substituição pela automação.
Segundo Paula Harraca, CEO da Ânima Educação, o modelo tradicional de ensino superior — dividido em disciplinas isoladas, como matemática financeira e contabilidade — está dando lugar a “unidades curriculares” que combinam teoria e prática em torno de problemas reais. Um aluno de administração, por exemplo, não estuda mais matemática financeira separadamente de contabilidade: a formação parte de uma disciplina como valuation, aplicada a empresas como AWS ou Microsoft.
A proposta é aproximar a formação das demandas do mercado e avaliar não apenas o que o aluno sabe, mas sua capacidade de aplicar esse conhecimento. “Nós não vendemos diplomas. Nós cuidamos de uma experiência de aprendizagem que tem que garantir que o jovem leve do curso a capacidade de aplicar o que aprendeu às necessidades do mercado”, disse a executiva durante o Arena Impacto, evento da Solinftec realizado ontem (3), em São Paulo.
Para viabilizar esse modelo, a empresa recorre a uma metodologia alemã de ensino dual. Cerca de 500 empresas participam levando problemas reais para a sala de aula, enquanto o conteúdo é atualizado a partir das demandas identificadas no mercado. A Ânima afirma ser a maior usuária da plataforma dual no mundo, superando até mesmo os números registrados na Alemanha.
Tecnologia no centro
A mudança no modelo de ensino vem acompanhada de uma transformação na própria métrica de aprendizagem. A Ânima afirma estar usando inteligência artificial para mensurar a capacidade de aprender do aluno, e não apenas o conteúdo que ele consegue reter. Em vez da escala tradicional de notas, com conceitos como A, A+ ou A-, a rede estuda adotar um sistema binário de aprovação, seguindo um movimento que Paula diz já observar em outros países.
A lógica é que o conhecimento, isoladamente, já não é suficiente para garantir valor no mercado de trabalho. “Conhecimento, ChatGPT é uma parte. Mas o valor está nas competências, na capacidade de ter pensamento crítico, trabalhar em equipe, a curiosidade, a vontade de aprender, superar o desafio”, disse.
Essa estratégia é apoiada pela IARA — Inteligência Artificial de Ressignificação da Aprendizagem —, desenvolvida internamente e integrada à Ulife, plataforma proprietária que concentra a vida acadêmica dos estudantes da rede.
A IARA sugere conteúdos aos alunos, perguntas e projetos aos professores e, segundo Paula, é capaz de preparar aulas com um clique. A ideia é liberar tempo dos docentes para atividades de mentoria e acompanhamento socioemocional dos alunos, inclusive em situações que podem levar à evasão.
Hoje, 15 mil educadores da Ânima passam por um processo interno de capacitação em IA, com um “evangelizador” dedicado a treinar a equipe docente. De acordo com Paula, a IARA proprietária é utilizada por 400 mil estudantes em 18 instituições do grupo.
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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de startups.com.br.