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Como o RS quer a dianteira na corrida dos data centers no Brasil?

10 de September de 2026 0 leituras
Como o RS quer a dianteira na corrida dos data centers no Brasil?

Leia um resumo desta notícia

  • O Rio Grande do Sul busca se tornar um polo de infraestrutura para data centers e inteligência artificial no Brasil.
  • Empresários e agentes do ecossistema gaúcho pedem mais agilidade na articulação para atrair investimentos.
  • A Scala AI City, em Eldorado do Sul, prevê investimento inicial de R$ 3 bilhões e 5 GW de capacidade.
  • A empresa gaúcha Parks está construindo um data center Tier III de R$ 500 milhões em Cachoeirinha.
  • O estado possui vantagens competitivas como capital humano qualificado e ambiente de inovação consolidado.
  • A migração do TJ-RS para a nuvem da AWS e o uso de IA exemplificam a capacidade tecnológica local.
  • A conectividade internacional e a matriz energética sustentável são pilares estratégicos para o protagonismo do RS.

À medida que o nome do Brasil avança como um possível protagonista quando o assunto é infraestrutura para data centers, a discussão se estende também para os estados. De olho nessa oportunidade, o Rio Grande do Sul quer tomar a dianteira, mas empresários e agentes do ecossistema têm um consenso: é hora de conversar um pouco menos e agir mais.

“As decisões precisam ser céleres”, disparou Charles Schramm, gerente executivo da FGV Projetos, em evento promovido pela InvestRS no Tecnopuc. Segundo o analista, um gaúcho que olha o estado de fora, a sugestão é gastar menos tempo em discussões e partir para a articulação para o estado atrair investimentos.

Danielle Calazans, secretária estadual de Planejamento, Governança e Gestão, aceitou a crítica sobre velocidade. “Uma política pública baseada em tecnologia tem que ser implementada rapidamente, porque daqui a pouco, três meses, quatro meses, já veio uma tecnologia diferente e a gente já fica para trás.”

Segundo Danielle, o Redata, que já passou no congresso e aguarda a sanção presidencial, tem tudo para ser um grande fator nesse “destravamento”. “Esperamos que, com o fim das eleições, essa pauta consiga andar com a velocidade que esperamos”, destaca.

Os números explicam a pressa. No evento, Luciano Fialho, senior VP da Scala Data Centers, destacou que o capex das big techs em infraestrutura digital em 2026 chegue a US$ 725 bilhões. Somando as neoclouds e as companhias nativas de IA, o total passa de US$ 1 trilhão em um único ano.

Ao falar sobre a corrida por oportunidades e investimentos no Rio Grande do Sul, a Scala inclusive já fez o seu movimento. A Scala AI City, em Eldorado do Sul, tem investimento inicial de R$ 3 bilhões e projeto desenhado para 5 GW em 10 milhões de metros quadrados. Em maio do ano passado, o Ministério de Minas e Energia garantiu a conexão desses 5 GW, a maior reserva já autorizada no país.

“O projeto está em fase de licenciamento, tudo está se encaminhando bem e esperamos já iniciar a construção no começo de 2027”, disse Luciano, em conversa com o Startups durante o evento. O executivo estima que, se toda a capacidade for ocupada, o campus pode atrair até US$ 300 bilhões. A conta é de US$ 10 milhões por megawatt de construção, mais até cinco vezes isso em GPUs, servidores e resfriamento por parte do cliente.

Ao lado dos grandes, há a aposta local. A Parks, empresa gaúcha de 60 anos sediada em Cachoeirinha, está construindo um data center Tier III de R$ 500 milhões e 5 MW, com expansão prevista em oito fases e entrega até o fim deste ano. “O que a gente entende agora é que o fator mais importante dessa onda é tempo”, disse Fabio Cierro, CEO da companhia. “Existe uma demanda gigante, a IA acelerou o futuro e a infraestrutura não acompanhou.”

A base já está lá

Se de um lado está a crítica construtiva para buscar mais rapidez, de outro os participantes do evento reconhecem que o Rio Grande do Sul tem vantagens competitivas no cenário tecnológico nacional. Segundo eles, o estado tem os ativos, tem os primeiros projetos e tem articulação institucional — o que está em disputa é o relógio.

O capital humano e o ambiente de inovação foram apontados como alicerces que diferenciam o Rio Grande do Sul frente a outras regiões do país. A presença de universidades de ponta, pesquisadores qualificados e polos tecnológicos consolidados — como o Tecnopuc, o Instituto Caldeira e ecossistemas emergentes no interior — cria um ambiente pronto para reter talentos e gerar soluções de alta tecnologia com rapidez.

Um caso emblemático partiu de Cristiano Heckert, gerente de desenvolvimento de negócios da AWS. Em painel, ele falou do case do Tribunal de Justiça do RS (TJ-RS) que, ao migrar para a nuvem da AWS durante a tragédia das enchentes em 2024, não só garantiu a continuidade do serviço como passou a adotar inteligência artificial na rotina jurídica.

“Pela primeira vez a gente enxerga a luz no fim do túnel de zerar o nosso estoque de processos por conta da IA que está nos trazendo grande celeridade e produtividade”, destacou.

Outro pilar estratégico para alavancar esse protagonismo é o avanço da conectividade internacional e a matriz energética sustentável do estado. Além disso, a expansão de redes de alta capacidade, como o cabo submarino Malbec trazido pela V.tal, posiciona a região com baixíssima latência para atender às demandas de processamento intensivo trazidas pelas big techs.

“Se eu pudesse apontar um fator além de todos esses que são extremamente importantes, seria a capacidade de reagir — de entender o ambiente, entender para onde estão indo as decisões e as necessidades e reagir rápido a isso”, sintetizou Carlos Agripino, diretor comercial da V.tal.

Para Rafael Prikladnicki, presidente da InvestRS, o desafio a partir de agora, é coordenar esses ativos e transformar o potencial em resultados concretos. “Temos as condições para nos posicionar de forma competitiva nesse mercado”, finalizou.

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Rodapé editorial

Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de startups.com.br.

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