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SaaSholic lança 3º fundo e aposta no “homem do futuro”

27 de August de 2026 0 leituras
SaaSholic lança 3º fundo e aposta no “homem do futuro”

A SaaSholic concluiu a captação de seu terceiro fundo, no valor de US$ 30 milhões. O veículo é o maior já levantado pela casa e chega em um momento de transformação do mercado de software, com a inteligência artificial mudando tanto os produtos quanto a forma como investidores analisam startups.

O novo veículo é três vezes maior que o fundo anterior, de US$ 10 milhões, levantado em 2022. O primeiro fundo da SaaSholic, lançado em 2019, foi no valor de US$ 1,5 milhão.

O foco continua sendo em empresas B2B de software, em estágio Seed, embora a gestora também possa investir em pré-Seed. Os cheques de entrada ficarão entre US$ 1 milhão e US$ 1,5 milhão, acima dos aportes feitos no segundo fundo, e desta vez haverá uma reserva maior para acompanhar as empresas em rodadas posteriores, como Série A.

A gestora pretende manter um portfólio relativamente concentrado, com cerca de 15 startups ao longo de quatro anos. Desde o segundo fundo, a casa também busca liderar as rodadas, definindo os termos e ajudando os empreendedores com a captação.

Em entrevista ao Startups, William Cordeiro explica que a ideia é que cada um dos três sócios fique com cerca de cinco empresas debaixo do seu chapéu, acompanhando de perto os fundadores investidos. Além dele, os outros dois sócios são Diego Gomes (cofundador da Rock Content) e Gustavo Souza (especializado em vendas de software e estratégias de go-to-market).

“Então a conta vai ser assim: um, no máximo dois investimentos por ano por sócio. A gente gosta de ter um acompanhamento semanal com os empreendedores, e a gente não acha que daria para fazer isso num fundo com 50 empresas, com 80 empresas”, observa.

O novo fundo também marca a entrada de novos cotistas, como a Spectra, que entrou com US$ 7 milhões, além da Evertec e de empreendedores do mercado de tecnologia. Entre os investidores estão nomes como Marcelo Lombardo, fundador da Omie, Pedro Conrade, fundador do Neon, João Pedro Resende, fundador da Hotmart, ⁠Rodrigo Cartacho, fundador da Sympla.

“A Evertec já investiu mais de US$ 1 bilhão na região e queria estar próxima de um fundo com uma cobertura muito grande na América Latina. Já a Spectra fez uma análise de todos os gestores que investem nesse mesmo espaço e gostou muito do resultado que construímos no portfólio do Fundo 2”, explica William.

O “homem do futuro”

Nesse novo veículo, a SaaSholic quer aprofundar uma tese que vem desenvolvendo desde seus primeiros investimentos: encontrar negócios e empreendedores que tenham uma vantagem por terem visto uma transformação acontecer em um mercado e possam levar esse conhecimento para outro. A gestora chama essa estratégia de “homem do futuro”.

Em seu manifesto sobre a tese, a SaaSholic afirma que a oportunidade aparece no intervalo entre uma transformação que parece inevitável e o momento em que o mercado passa a precificá-la.

Historicamente, esse movimento ocorreu principalmente no sentido contrário: empresas e modelos de negócios criados nos Estados Unidos eram adaptados para a América Latina. A SaaSholic quer explorar o caminho inverso: exportar conhecimento e soluções desenvolvidas na América Latina para mercados mais maduros, especialmente os Estados Unidos.

A tese já apareceu em investimentos anteriores. Um dos exemplos é a Conta Simples, que identificou no Brasil uma demanda por serviços financeiros voltados a pequenas e médias empresas e acabou servindo de referência para o investimento na colombiana Mono, que enfrentava problemas semelhantes.

Outro caso é a Clad, criada para levar aos Estados Unidos um modelo desenvolvido no Brasil para resolver problemas de inadimplência no setor educacional.

No Fundo III, a estratégia ganha uma dimensão ainda maior. Cerca de 30% a 40% do capital deverá ser direcionado a essa tese internacional. O restante continuará concentrado em empresas brasileiras.

“Nunca é o cenário de: vou investir numa empresa americana que está vindo para o Brasil. Ou eu vou investir numa empresa no Brasil que vai para os Estados Unidos. Ou eu vou investir em empreendedores latino-americanos que vão construir uma empresa americana”, afirma o sócio da SaaSholic.

Uma gestora AI-Native

A tese de investimento não é a única transformação acontecendo dentro da SaaSholic. A gestora também está usando inteligência artificial para ampliar sua capacidade de analisar startups e acompanhar o portfólio.

A casa decidiu reconstruir internamente seu stack de tecnologia, incluindo CRM, ferramentas de acompanhamento e monitoramento das empresas investidas. Sobre essa estrutura, passou a utilizar agentes de IA para enriquecer oportunidades, buscar empresas que se encaixem na tese e aumentar a profundidade das análises.

O resultado, segundo William, foi um salto de mais de cinco vezes na capacidade de cobertura em um trimestre. O número passou de cerca de 100 companhias analisadas para aproximadamente 470 empresas.

“Isso não significa que o empreendedor deixará de falar com pessoas e passará a ser avaliado exclusivamente por uma inteligência artificial. A SaaSholic usa agentes de IA para enriquecer as oportunidades que chegam à gestora, buscar proativamente empresas alinhadas à sua tese de investimento e ampliar a qualidade das análises feitas pelo time”, esclarece William.

Na prática, a gestora quer usar IA não apenas para aumentar o volume de startups avaliadas, mas para melhorar a qualidade da decisão. Segundo o sócio, a estrutura permite processar informações continuamente e dar respostas mais rápidas aos empreendedores.

Essa transformação também influencia a própria tese de investimento da SaaSholic. Para a gestora, o debate sobre se “SaaS morreu” perde de vista uma mudança mais profunda: o software não está desaparecendo, mas evoluindo de uma ferramenta utilizada por pessoas para uma camada capaz de executar tarefas de forma autônoma.

“Se antes eu tinha um CRM que um funcionário usava para poder registrar as conversas de pré-venda, venda e pós-venda, agora eu tenho um agente que conversa com o cliente final, negocia e faz o processo de um ser humano”, explica.

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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de startups.com.br.
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